Rendas: a delicadeza que conquistou o mundo da moda

Renda na moda em lingerie Recco com transparência e textura

Delicada, transparente, trabalhada, às vezes romântica e outras vezes provocadora. Poucos elementos conseguem mudar tanto de personalidade quanto a renda na moda.

Ela já apareceu em vestidos de alta-costura, virou símbolo da lingerie, ganhou atitude com a cultura pop, marcou a estética dos slip dresses dos anos 1990 e continua sendo reinterpretada pelas passarelas. Em algumas temporadas, surge quase invisível, em pequenos acabamentos. Em outras, toma conta do look.

Agora, ela volta a ocupar espaço justamente em um momento em que a moda demonstra interesse por texturas, transparências, trabalho artesanal e peças que deixam mais evidente o contato com o corpo.

Mas dizer simplesmente que “a renda voltou” é pouco. Porque ela nunca foi embora de verdade. O que muda é a maneira como a moda escolhe usá-la.

A renda nunca foi apenas romântica

Por muito tempo, falar em renda significava pensar imediatamente em delicadeza, vestidos femininos e uma estética romântica. Mas a moda mostrou que ela pode assumir muitas outras identidades.

Em preto, pode ser gráfica e marcante. Sobre a pele, ganha sensualidade. Com alfaiataria, cria contraste. Com jeans, fica mais casual. Em um vestido longo, pode assumir um ar dramático. Em um top ou sutiã aparente, passa a fazer parte da construção do look.

Essa capacidade de mudar de acordo com a modelagem, a cor e o styling é uma das razões para a renda continuar tão presente na moda. Ela não determina sozinha a personalidade da peça; é a forma de usar que muda completamente sua leitura.

Chanel mostrou que a renda também podia ser moderna

Nos anos 1930, Gabrielle Chanel encontrou na renda uma maneira de trazer suavidade às suas roupas sem abandonar as linhas simples que já faziam parte de sua linguagem.

A renda preta apareceu com frequência em seus vestidos de noite. Em vez de excesso de ornamentos, Chanel trabalhava o próprio desenho do material como protagonista.

Um vestido preservado pelo Metropolitan Museum of Art, datado de cerca de 1930, mostra bem essa ideia: grandes motivos florais em renda preta criam textura sobre uma silhueta relativamente limpa. O próprio museu destaca o uso recorrente de renda e tule na produção de noite de Chanel naquele período.

É um exemplo importante porque ajuda a desmontar uma ideia que ainda acompanha o material: renda não precisa significar excesso de romantismo. Na moda, ela também pode ser sofisticada, gráfica e moderna.Vestido de renda preta Chanel de cerca de 1930

Quando a lingerie de renda ganhou o look

A relação entre a renda e a moda ficou ainda mais interessante quando aquilo que antes pertencia ao universo íntimo começou a aparecer do lado de fora. Sutiãs, camisolas e corpetes passaram a inspirar roupas feitas para serem vistas.

Um dos momentos mais marcantes dessa mudança aconteceu nos anos 1980.

Em 1984, Madonna subiu ao palco do primeiro MTV Video Music Awards usando bustiê de renda, saia de tule, luvas, pérolas e outros elementos que misturavam códigos de lingerie, roupa de noiva e moda de rua. A imagem se tornou um dos símbolos de seu estilo naquele período.

A renda ganhava outra leitura. Continuava feminina, mas agora também podia ser irreverente, provocadora e cheia de atitude.

Era uma mudança importante: a lingerie deixava de ser apenas aquilo que deveria permanecer escondido.Lingerie de renda na moda dos anos 1980

Nos anos 1990, menos roupa significava mais moda

Se os anos 1980 levaram referências íntimas para o palco, os anos 1990 tornaram essa mistura muito mais natural.

O slip dress se tornou uma das peças mais representativas da década.

Inspirado nas antigas combinações usadas sob a roupa, o vestido de alças finas ganhou as ruas, as festas e os tapetes vermelhos. Modelos como Kate Moss, Naomi Campbell e Christy Turlington ajudaram a transformar a silhueta em símbolo da moda dos anos 1990. Renda nas barras e decotes, cetim, transparências e modelagens simples reforçavam justamente sua origem na lingerie.

Kate Moss tornou-se especialmente associada ao estilo. Seu famoso vestido transparente, usado em uma festa em 1993, entrou para a história da moda e ajudou a consolidar aquela estética de lingerie usada como roupa.

A renda aparecia de um jeito muito diferente das décadas anteriores: menos ornamentada, mais despretensiosa.

Era justamente esse contraste entre uma peça delicada e uma atitude quase despreocupada que fazia o look funcionar.

Do boho à lingerie aparente: a renda continua mudando

Essa capacidade de transformação ajuda a explicar por que a renda segue aparecendo em movimentos de moda tão diferentes.

Nos últimos anos, ela voltou a ganhar bastante espaço dentro da estética boho, com vestidos fluidos, transparências e construções leves. Na Primavera/Verão 2025 da Chloé, por exemplo, rendas apareceram dentro da retomada dessa linguagem mais livre e feminina proposta por Chemena Kamali. Ao mesmo tempo, outras marcas levaram o material para um território mais diretamente ligado à lingerie e ao naked dressing.

Também existe uma mudança importante na maneira de combinar essas peças.

O vestido de renda não precisa mais ser acompanhado apenas por elementos igualmente delicados. É justamente quando encontra uma jaqueta, uma alfaiataria mais ampla, couro, jeans ou sapatos pesados que pode ganhar um aspecto mais contemporâneo.

A renda deixou de ser apenas um “acabamento feminino” para se tornar uma ferramenta de styling.

A renda nas passarelas de 2027

As coleções mais recentes mostram que a renda continua encontrando novas formas de aparecer na moda.

Na temporada Primavera/Verão 2027, apresentada em setembro de 2026, Milão trouxe de volta transparências, trabalhos manuais, lingerie aparente e superfícies cheias de textura.

Na Dolce & Gabbana, a coleção Stravaganza Siciliana olhou para os guarda-roupas de diferentes gerações como ponto de partida. Rendas, crochês, corpetes e peças inspiradas em antigos enxovais apareceram misturados a elementos contemporâneos, como jeans e alfaiataria. Em um dos looks, uma saia branca trabalhada artesanalmente foi combinada a um sutiã preto de renda, resumindo bem esse encontro entre memória e presente. 

Mais do que recuperar uma estética do passado, a coleção mostrou como a renda pode ganhar uma leitura atual quando aparece em combinações menos óbvias. O íntimo encontra a roupa de fora, o delicado encontra peças mais estruturadas e aquilo que remete ao artesanal passa a fazer parte de um styling contemporâneo.

Esse olhar também apareceu no Vogue World: Milano 2026, que colocou o trabalho artesanal italiano no centro de parte de sua narrativa, reunindo rendas, bordados e outras técnicas tradicionais ao lado de discussões sobre inovação e tecnologia.

É nesse cenário que a renda mostra por que continua tão relevante: ela carrega a memória do feito à mão, mas nunca fica presa ao passado. Novos materiais, técnicas e formas de usar fazem com que ela continue mudando junto com a moda.Renda no desfile Primavera Verão 2027 da Dolce & Gabbana

Por que estamos vendo tanta renda na moda?

Existem alguns movimentos acontecendo ao mesmo tempo.

Depois de temporadas marcadas por roupas extremamente limpas e por uma estética minimalista, a moda voltou a demonstrar interesse por peças que têm texturas, camadas e personalidade visual.

A renda entrega tudo isso sem necessariamente precisar de uma estampa. O próprio desenho do material cria informação.

As transparências também continuam importantes. Em vez de simplesmente mostrar o corpo, muitas propostas trabalham com camadas: pele, lingerie e roupa passam a fazer parte de uma mesma composição.

A lingerie aparente ganha espaço, transformando sutiãs, tops e acabamentos antes restritos ao universo íntimo em elementos visíveis e, muitas vezes, protagonistas do look.
Lingerie de renda Recco com detalhes transparentes sobre a pele

Na Recco, a renda começa na pele

Antes de aparecer no look, a renda tem outra relação importante com a moda: ela encontra o corpo.

Na lingerie, o desenho do material ganha vida sobre a pele. As transparências mudam, os detalhes ficam mais evidentes e a renda passa a fazer parte não apenas da aparência da peça, mas também da sensação que ela transmite.

Na Recco, esse elemento se revela em sutiãs, calcinhas, camisolas e outras peças em diferentes interpretações, sempre conectado a uma sensualidade elegante e ao cuidado com conforto, modelagem e acabamento.

É também uma forma de olhar para aquilo que a moda vem fazendo agora por outro ângulo.

Quando as passarelas transformam lingerie em parte do look, aproximam dois universos que a Recco conhece há muito tempo: o íntimo e a moda.Lingerie de renda Recco com detalhes transparentes sobre a pele

A renda é tendência em 2027?

Em 2027, a renda volta a ganhar destaque, acompanhando movimentos como as transparências, a lingerie aparente, a valorização do trabalho artesanal e o interesse por superfícies mais trabalhadas. Mas o que aparece como tendência agora não é a renda em si, e sim a maneira como ela está sendo reinterpretada.

Ao longo das décadas, esse material já assumiu leituras muito diferentes. Esteve presente na elegância de Chanel, ganhou uma atitude mais provocadora na cultura pop dos anos 1980 e acompanhou a simplicidade dos slip dresses nos anos 1990. Hoje, surge novamente em contraste com alfaiataria, jeans, transparências e peças inspiradas no universo íntimo.

É essa capacidade de mudar sem perder sua identidade que mantém a renda relevante. Mais do que voltar à moda, ela encontra, a cada época, uma nova forma de fazer parte dela.

 

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